6.27.2006
6.26.2006
6.24.2006
6.23.2006
6.20.2006
6.18.2006
Espero...

Autor:
Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro (...)
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.
Sophia de Mello Breyner
without???
6.17.2006
Prontos!

Autor:
perco-me no abraço
que me faz sonhar
encontro-me no amor
que sinto por ti
Música: Mariah Carey - Without you
6.16.2006
6.15.2006
6.13.2006
HOMENAGEM A EUGÉNIO

Autor: Sérgio Redondo
Surdo, Subterrâneo Rio
Surdo, subterrâneo rio de palavras
me corre lento pelo corpo todo;
amor sem margens onde a lua rompe
e nimba de luar o próprio lodo.
Correr do tempo ou só rumor do frio
onde o amor se perde e a razão de amar
... surdo, subterrâneo, impiedoso rio,
para onde vais, sem eu poder ficar?
Eugénio de Andrade
Música: Carlos Paredes - Cancao Verdes Anos
Em cima da hora...

Autor: miguel pereira
... À beira de ti, as horas
Não eram horas: paravam.
E, longe de ti, o tempo
Era tempo, infelizmente...
Pedro Homem de Mello
Música: leonard Cohen- In my secret life
6.11.2006
6.09.2006
6.07.2006
Fica perto do meu coração...

Autor:sweetcharade
... e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas...
Daniel Filipe, A Invenção do Amor
Música: Beth Gibbons - "Mysteries"
6.04.2006
Tempestades... por vezes nem só de areia!

Autor:
Por vezes o destino é como uma pequena
tempestade de areia que não pára de mudar de direcção.
Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti.
Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade persegue-te,
seguindo no teu encalço.
Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie
de dança maldita com a morte ao amanhecer.
Porquê?
Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha
surgido do nada, sem nada que ver contigo.
Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti.
Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade,
fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar
a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta a outra.
Aqui não há lugar para o sol nem para a lua;
a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido.
Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados,
a rodopiar em direcção ao céu.
É uma tempestade de areia assim que deves imaginar.(...)
Haruki Murakami, in 'Kafka à Beira-Mar'
Música: Beth Gibbons - "Mysteries"
6.03.2006
Há palavras que nos beijam

Há palavras que nos beijam.
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
Alexandre O’Neill
Música: Beth Gibbons - "Mysteries"
6.02.2006
Árvores do Alentejo

Autor: António Manuel Pinto da Silva
Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
...Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca
Música: Beth Gibbons - "Mysteries"